sábado, 13 de dezembro de 2008

TÉCNICA CONCRETA PARA A DISSOLUÇÃO DO EGO


A única forma de atrairmos os arcanjos, os anjos, os poderes da consciência é através da eliminação dos defeitos. É claro que não só a eliminação dos defeitos, mas um conjunto de atitudes, ações, como a auto-observação e a meditação.
Há um mito de que o trabalho com a auto-observação e a morte do ego é algo cansativo e desgastante. Conforme o discípulo vai praticando, vai descobrindo que o que mais cansa, o que mais desgasta é andar pela vida como um lenho no mar, deixando-se levar por tudo e por todos. O verdadeiro mago, a verdadeira sacerdotisa deve aprender a forjar a cada instante seu próprio caminho e as próprias circunstâncias.
A auto-observação é tão importante quanto a meditação, pois é através da auto-observação que vamos aprendendo a nos conhecer por dentro, fazendo-nos candidatos a uma verdadeira viagem interior. Se não há auto-observação não há auto-descobrimento e por conseqüência não tem como eliminar os defeitos.
Em seu livro “O Mistério do Áureo Florescer” o mestre Samael nos diz que “NECESSITAMOS MORRER DE INSTANTE A INSTANTE, DE MOMENTO A MOMENTO, PORQUE SÓ COM A MORTE DO EGO ADVÉM O NOVO.”
O trabalho de dissolução do ego é gradativo e não depende apenas de uma ação, mas sim de várias ações. É algo que não realizamos sozinhos. Nesse trabalho nossa Divina Mãe, o Pai e o Cristo estarão sempre a frente nos auxiliando.
Assim como o mestre Samael nos fala de morrermos de instante a instante, o mestre Rabolu nos orienta sobre a morte em marcha, ou seja, suplicar a morte à mãe divina a cada vez que descobrimos um defeito agindo. Por exemplo: um sujeito está em auto-observação e de repente em uma conversa com os amigos descobre um eu de ciúmes:
Este sujeito irá no mesmo instante rogar a sua mãe divina para que desintegre aquele defeito de ciúmes.

Sabemos que a morte em marcha dificilmente vai eliminar um defeito de uma só vez ou no mesmo instante. A morte em marcha irá colocar um freio no defeito que age no momento. Na morte em marcha vamos cortando o alimento dos defeitos, tirando sua força, nesse caso estamos trabalhando com os detalhes dos defeitos.
Há vários detalhes dos defeitos em nós e podemos citar alguns deles:
O hábito de dar 3 beijinhos, assim como ficarmos elogiando o sexo oposto é um detalhe da luxúria;
Quando encostamos o corpo em uma parede, ou em algo para “descansar” pode ser um detalhe do ego da preguiça;
Ficarmos mexendo os pés ou mexendo alguma parte do corpo é um detalhe do eu da impaciência, que é irmão do ego da ira.
Quando estamos nos auto-observando, atentos, vamos flagrando as manifestações dos defeitos e suplicando a morte deles a cada vez que eles surgirem.
O mestre Samael nos coloca que cada defeito descoberto deve ser compreendido profundamente, e após compreendido suplicamos a mãe para que o desintegre.
Isso não quer dizer que somente devemos pedir a morte do defeito depois de compreendê-lo totalmente. O ato de nos auto-observar, de flagrar um ego agindo já há uma certa compreensão aí, pois ao nos auto-observar nos dividimos em dois, em observador e em observado
( o ego intruso que age). Existe certa compreensão aí porque sentimos o defeito agindo, e só a vontade de não sermos aquilo (o defeito) já é uma pequena compreensão sobre nosso estado atual.
O trabalho é gradativo, é a soma de nossos esforços e de nossos super esforços. Seria negligência nossa descobrir um defeito agindo, deixá-lo se manifestar e nada fazer. Obviamente cada estudante tem sua própria forma particular de trabalhar sobre si mesmo. No entanto não devemos esquecer de que auto-observação, súplica à mãe dos defeitos descobertos, compreensão e meditação é a base de um trabalho sério de dissolução do ego.


Devemos aprender a refletir profundamente, a nos concentrar e a meditar.
A tendência de mecanizarmos a prática ou acharmos que estamos mecanizando-a é apenas falta de experiência. A medida que vamos nos tornando mais sérios, a medita que vamos colocando o Pai acima de tudo, o Ser vai nos ajudando e passamos a fazer o trabalho com mais afinco, com mais força, com mais vontade.
Cada prática que realizamos irmãos, é um ponto que marcamos diante do Pai. Nada pode passar sem notarmos.
Cada um de nós deve aprender a fazer a meditação psicológica, assim como explica Samael, ou seja, reconstruir uma cena. Isso significa reconstruirmos uma cena através da imaginação consciente. Vários estudantes se acostumaram a fazer estas prática somente a noite ou ao deitar. Mas a prática da reconstrução da cena devemos fazer diariamente. Isso é uma retrospectiva que fazemos. Procuramos voltar a cena na qual nos identificamos, na qual o ego agiu, por mínimo que seja. Na cena, na reconstrução da cena passada seremos como observadores, que joga luz na cena, no evento, e vamos capturando todas as nuances, as sutilezas e as entrelinhas. Devemos ser muito críticos conosco mesmos, sem auto-piedade. Mesmo que achamos que naquele dia, ou nos momentos anteriores o ego não agiu, é importante fazermos a retrospectiva.Ao descobrirmos o ego agindo ou mesmo querendo agir, iremos imaginar que este defeito está no banco dos réus, poderemos acusá-lo de todo mal que fez e que está fazendo a nós, aos outros e a humanidade. Esta técnica de retrospectiva é para arrancar de nós arrependimento pelo que somos e a compreensão do defeito.

Ao vir a compreensão suplicar a mãe que para transforme aquele defeito em poeira cósmica.
Esta técnica de reconstrução da cena, dificilmente irá funcionar se passamos o dia dormindo, identificados,preocupados com as contas, a família, o emprego, o curso, os amigos, etc, pois ao passarmos o dia adormecidos, a consciência não nutriu dos eventos, das cenas, das adversidades. Esta técnica é maravilhosa para aqueles que buscam estar atentos de segundo a segundo, suplicam a mãe a morte dos detalhes que agem de instante a instante, buscam nutrir-se dos eventos, das adversidades do dia a dia , pois elas nos trazem tudo que precisamos para despertar.
Quando há arrependimento, quando nasce a compreensão o ego se desnuda, se enfraquece é o momento de rogarmos à mãe para que o desintegre.
A compreensão é gradativa e elástica. Ela é o resultado de nossas buscas, nossas investigações, das reflexões profundas, da meditação, da auto-observação e de cada súplica que fazemos à mãe.
Os estudantes que são casados quando estão praticando o segundo fator, devem suplicar à mãe divina a morte de um defeito compreendido ou dos defeitos que surgirem durante a prática do arcano, pois no momento que o casal está unido, têm muita força para a morte do ego.
Fraternalmente
Moacir

2 comentários:

Ode a Psicodelia disse...

Parece-me um aperfeiçoamente do Eu, do Ego. Veja se eu não estou viajando: no momento que vemos os nossos defeitos, vemos que o fato de é que somos imperfeitos, buscamos melhorar nossas atitudes, verificando nossos erros. Projetamos um Eu perfeito, algo que precisa ser melhorado, aperfeiçoado. O ego, ao meu ver, ainda permanece. Olhar para o passado, por exemplo, não seria uma jeito egoístico de olhar para dentro de nós mesmos? Há sofrimento, e não sofrimentos específicos. Superar o Ego trata, ao meu ver, de algo muito mais complexo. Inclusive, verificando que o Eu é formado por sua cultura, logo, faz parte dessa cultura, ícones e imagens são apenas formas de limitar o entendimento. Para superar o Ego não é preciso ir além da crença, do ícone, da imagem? Abraço!

Pablo Colyn disse...

Respondendo a Pergunta de Ode Psicodelia: Não o Eu (superior) não é formado por nossa cultura, pois, não é nos dado pela sociedade, este segundo é o Ego, ou seja, o reflexo distorcido do Eu (a sombra da alegoria de Platão), o Eu seria a parte de nós que vive em harmonia com o meio e conosco, ele não é egoísta, pensa logicamente e eticamente, quanto a termos de usar do Ego para conhecer o Eu, você está correto(a), pois o Ego guarda em si mesmo engarrafado o próprio Eu (superior)!